segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Sting se reencontra com o cacique Raoni

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Brasil deve ouvir índios do Amazonas sobre represa, diz Sting
domingo, 22 de novembro de 2009 16:33

Por Elzio Barreto
SÃO PAULO (Reuters) - O governo brasileiro deveria ouvir os índios antes de decidir sobre a construção da polêmica usina hidrelétrica de 17,3 bilhões de reais no coração da floresta amazônica, disse o cantor britânico e ativista Sting neste domingo.
Sting, que fundou a Rainforest Foundation em 1989 após conhecer um grupo de indígenas brasileiros no Amazonas, pediu mais diálogo sobre a represa de Belo Monte, um projeto de 11 mil megawatts no rio Xingu. O ex-Police se apresenta neste domingo no "Festival Natura Nós About Us", evento em defesa do meio ambiente, na Chácara do Jockey, em São Paulo.
A represa de Belo Monte atraiu duras críticas por seu alto custo e potencial dano ambiental à bacia amazônica, no momento em que ela é considerada prioridade absoluta pelo governo federal para atender a um aumento na demanda de energia nos próximos anos.
"Tenho certeza de que há fatores econômicos sólidos que justificam essa represa, assim como do lado oposto há fatores ecológicos sólidos que não a justificam", disse Sting ao lado do cacique Raoni, líder dos caiapós.
"Sou um estrangeiro, mas o que me importa é que a voz de todos os brasileiros seja ouvida", acrescentou. "O povo de Raoni precisa ser parte do processo porque está na linha de frente."
Grupos ambientalistas dizem que o projeto de Belo Monte, que também criará um aqueduto para ajudar a transportar commodities agrícolas cultivadas no Amazonas, irá danificar o ecossistema sensível.
Falando em sua língua nativa, Raoni disse que a represa pode prejudicar a caça e a pesca e que inundaria parte do Parque Indígena do Xingu.
"O governo quer construir essa represa e isso me preocupa", disse Raoni, usando um cocar e um disco labial, através de um intérprete, seu sobrinho Megaron.
"Essa represa pode atingir meu povo, a terra de meu povo", acrescentou ele. "Estou muito preocupado com o futuro de meus netos, meus bisnetos, por isso luto para manter a terra e o rio Xingu como são agora."
Na quarta-feira, o governo adiou uma licitação para a construção de Belo Monte até janeiro de 2010 por causa de dificuldades em obter a licença ambiental para o projeto. O país espera ter a licença antes da licitação para reduzir a percepção de risco político para os investidores.
O governo estima o custo da obra em cerca de 16 bilhões de reais, enquanto membros do setor prevêem valores na casa dos 30 bilhões de reais.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Acordo permite criação de gado em terra indígena

Brasília - Um acordo firmado entre indígenas e o Ministério Público Federal (MPF) no Tocantins permite agora a criação de gado dentro do Parque Indígena do Araguaia, na Ilha do Bananal.
No ano passado, 100 mil cabeças de gado foram retiradas da Ilha do Bananal, onde vivem cerca de 3.500 indígenas que arrendavam áreas a não índios para serem usadas como pasto. Pelo acordo, firmado há cerca de duas semanas, cerca de 20 mil cabeças de gado de não índios podem agora ser criadas pelos próprios indígenas. Dessa forma, se aplica não mais o arrendamento das terras, mas um regime de compartilhamento chamado de ameia.
“Na criação, como eles chamam, de ameia, que é uma forma de parceria, o dono do rebanho fornece o gado e o outro, no caso o indígena, faz toda a criação e depois divide-se o resultado”, disse o procurador da República Álvaro Manzano, que propôs o acordo.A permissão para a volta do gado à ilha foi dada depois que os animais saíram e a comunidade indígena passou a não dispor mais dos recursos que eram garantidos com o arrendamento das terras. O arrendamento, no entanto, era ilegal, já que, pela lei, a terra indígena só pode ser usufruída por índios. O procurador conta que a parceria foi a forma encontrada para atender às necessidades dos indígenas atualmente. “Os índios estão numa outra etapa de desenvolvimento, eles têm uma demanda por bens, por facilidades que a sociedade possui, então eles buscam renda, de uma forma ou de outra. O nosso desafio é fazer com que essa renda seja decorrente do trabalho que eles desenvolvem em sua terra”, acrescentou Manzano.O termo de compromisso firmado pelo Ministério Público Federal, associações dos índios Javaé e representantes das aldeias desperta, entretanto, polêmica, e não teve, por exemplo, o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai), afirma Euclides Lopes, administrador da instituição no município de Gurupi, vizinho à ilha. “Nós não concordamos com o retorno desse gado dentro da ilha, e há um encaminhamento da AGU, a Advocacia-Geral da União, de que a Funai não assinasse esse acordo. Pelo contrário, a AGU vai ingressar na Justiça para que se esse gado retornar, seja leiloado, como aconteceu no Pará [com a Operação Boi Pirata]”.A Ilha do Bananal, no Tocantins, tem quase 2 milhões de hectares e é considerada a maior ilha fluvial do mundo. No local, existem duas áreas indígenas - o Parque Indígena do Araguaia e a Terra Inawebohona - e uma de proteção, que é o Parque Nacional do Araguaia.

Agência Brasil

Índios recrutam líderes para tentar vitória inédita nas urnas em 2010


Divididos em 220 etnias, falando 180 línguas, os índios brasileiros estão se organizando para aumentar a representação política nas eleições de 2010. Eles somam mais de 700 mil, dos quais 150 mil eleitores, e querem mais protagonismo nas decisões do País para defender as suas bandeiras sem depender unicamente da tutela da Fundação Nacional do Índio (Funai) ou das bênçãos de igrejas. A ideia é eleger ao menos cinco deputados federais no País e uma bancada forte nas Assembleias Legislativas de 19 Estados onde estão mais organizados.As tribos e seus caciques estão recrutando em suas regiões os principais puxadores de votos, reconhecidos pela articulação e eloquência, que serão lançados para a Câmara. Já estão definidos os nomes de Almir Suruí, em Rondônia, Sandro Tuxa, na Bahia, e Júlio Macuxi, em Roraima. Este último teve atuação destacada na pressão pela demarcação da reserva Raposa Serra do Sol em área contínua, aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) este ano.Os três devem sair pelo PV, partido preferencial dos indígenas. Podem, no entanto, optar por outro partido que ofereça melhores possibilidades de vitória, o que será avaliado com lupa pelos conselhos indígenas e pelas assembleias que serão realizadas nas diversas aldeias, entre este mês e março. "Vou aguardar a decisão coletiva, antes de definir a melhor legenda, com chances reais de eleição", disse Macuxi. Pragmático, o líder pediu a desfiliação do PT porque o partido já tem uma prioridade para a Câmara, a deputada Angela Portela, que disputará a reeleição em 2010.Filiado ao PT do Distrito Federal, onde vive há oito anos como servidor da Funai, Álvaro Tukano, líder de uma etnia que habita as margens do alto Rio Negro, no Amazonas, deve buscar a confirmação do seu nome entre os candidatos da legenda. "Queremos eleger a maior bancada parlamentar de todos os tempos", declarou.O quinto puxador de voto deve sair das hostes do PDT, partido da preferência dos xavantes desde os tempos em que o deputado e cacique Mário Juruna, já falecido, cumpriu mandato parlamentar (1983-1987) como primeiro e único indígena eleito para o Congresso. Ele foi cooptado na época pelo líder trabalhista Leonel Brizola, também falecido. Desde esse fato, o PDT tem por praxe oferecer vagas para índios na legenda.VEREADORESNa última eleição municipal, os índios já deram uma primeira mostra do seu potencial nas urnas, elegendo seis prefeitos e mais de 90 vereadores em várias partes do País. Em São Gabriel da Cachoeira (AM), o prefeito, o vice e todos os vereadores são índios. Localizada em região conhecida como Cabeça do Cachorro, a cidade tem 95% da população de origem indígena.Em Roraima, foram eleitos prefeitos indígenas em Uiramutã e Normandia, ambos da etnia macuxi. São João das Missões (MG), Marcação (PB) e Barreirinha (AM) também têm prefeitos índios. "É muito positiva essa presença no processo político para legitimar a democracia brasileira", afirmou o presidente da Funai, Márcio Meira.Em quatro Estados onde têm maior nível de organização, os índios já decidiram que vão lançar candidatos a deputado federal, além de nomes competitivos para a Assembleia Legislativa. São eles Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia. Em outros 18 Estados serão lançados candidatos a deputado estadual e, eventualmente, algum para federal. São eles: Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Amapá, Paraíba, Goiás, Minas, Tocantins, Rio, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.SELEÇÃOA escolha dos candidatos, de acordo com Macuxi, é feita democraticamente, em assembleias regionais. Em Roraima, haverá uma na segunda quinzena deste mês, para a apresentação dos candidatos e debate em torno das propostas. A segunda ocorrerá em março, para a confirmação dos escolhidos.Para o líder, esse é um modo de escolha mais legítimo que as convenções partidárias. "São levadas em conta a liderança, a eloquência e a vida limpa do candidato", explicou. "Aqui ninguém cai de paraquedas, não se compra legenda, nem se é escolhido pelo dono do partido."Após a peneira, os índios são pragmáticos na escolha do partido. O preferencial é o PV, principalmente após a adesão da senadora Marina Silva (AC), que disputará a Presidência. Dizem que a ex-ministra do Meio Ambiente dará visibilidade às questões ambientais e indígenas. NÚMEROS700 milé a população atual de indígenas em todo o País150 mil deles são eleitores220 etnias existem hoje no Brasil, com um total de 180 línguas5 prefeitos descendentes de índios foram eleitos em 200890 vereadores também indígenas foram aprovados nas urnas ano passado


O Estado de S. Paulo de 05.10.2009

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Turistas pagam R$ 800 para viver em aldeia indígena na Bahia

De dia, passeios guiados por índios pataxós, banho no rio, exercícios de arco e flecha, pintura do corpo e participação no ritual de confraternização. À noite, ao redor da fogueira, palestra sobre tradições e lendas indígenas e repouso em rede ou esteira, na oca. Nas refeições, pratos indígenas, claro.
Séculos atrás, essa rotina despertaria temor no homem branco. Hoje, turistas pagam R$ 800 para viver essa experiência durante cinco dias e quatro noites, em cinco aldeias na região de Porto Seguro (BA).
O passeio, criado pela agência Pataxó Turismo, atende no máximo a 12 pessoas por vez. As partidas ocorrem apenas nas semanas de lua cheia ou nova, sempre às terças-feiras. A empresa fica com 40% do valor e entrega aos índios os 60% restantes, conta Maria Luísa da Silva Cruz, dona da agência.


Turistas enfrentam mar para observar baleias na Bahia Tartaruga Gianecchini é galã do litoral baianoGuarde uma tarde em Salvador para o sobe e desce nas ruas do PelôNo Mercado Modelo, prove a porção de lambreta



"Hoje, a principal fonte de renda das aldeias é o turismo", afirma Cruz, cuja agência oferece várias outras opções de passeios em áreas indígenas.
O mais barato dura três horas e inclui visita a uma aldeia e degustação de um prato típico -R$ 45, com transporte.
Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem
Estudantes visitam aldeia Krukutu, de índios guaranis que vivem em Parelheiros, bairro localizado na zona sul da capital paulista
Embora os brasileiros sejam maioria, muitos estrangeiros também procuram esses passeios. "Tem portugueses, argentinos, gente de vários países da Europa", diz Cruz.
Atualmente, segundo a dona da agência de turismo, a única aldeia da região que não tem um programa pago para receber turistas é a Coroa Vermelha, em cuja área foi celebrada, em 26 de abril de 1500, a primeira missa no Brasil, e hoje é uma espécie de bairro de Porto Seguro-com comércios e a maioria das casas de alvenaria.
As outras aldeias, situadas em reservas indígenas mais afastadas da área urbana, oferecem visitas pagas. "Isso começou há 11 anos, quando a única aldeia visitada era Coroa Vermelha e três índias pataxós propuseram a comercialização de passeios nas aldeias", conta.
Os índios também lucram com a venda de artesanato. Um cocar chega a custar R$ 500, mas há peças bem mais em conta, como um apito (R$ 10, em média) ou um colar (R$ 15).
Da Bahia ao Rio
Mesmo com o turismo em alta na própria aldeia, os pataxós também viajam para vender artesanato. No calçadão da orla de Copacabana (zona sul do Rio), por exemplo, é comum encontrar índios -devidamente paramentados- vendendo objetos da tribo.
O pataxó Joselito Vaqueiro, 38, cujo nome indígena é Quati Pataxó, costuma passar mais tempo no Rio -onde esteve de março a agosto- que na Bahia.
"Divulgo a cultura do meu povo e ganho o suficiente para me manter", diz Quati, que trabalha com um cocar na cabeça e o corpo pintado. Enquanto oferece o artesanato, ele distribui panfletos das agências que promovem o turismo indígena.
Em SP
Assim como os pataxós da Bahia, os 300 índios guaranis da aldeia Krukutu, em Parelheiros (zona sul de SP), também investem no turismo. Mas o resultado é bem diferente.
"A situação melhorou, mas a maioria depende mesmo é do emprego no posto de saúde ou na escola estadual", conta Olívio Jekupé, responsável por recepcionar os turistas na aldeia.
Cada um paga R$ 5 para assistir a uma palestra sobre a história dos índios, conhecer as instalações da tribo e percorrer uma trilha. Por mais R$ 2, assistem a uma apresentação do coral das crianças da aldeia.


O roteiro é divulgado no site http://www.culturaguarani.org.br/.


"O passeio foi legal. Nem imaginava como é a verdadeira rotina dos índios", aprovou Paulo Galvão de Faria, 26, que visitou a aldeia no dia 19.
De diferente, os visitantes viram apenas a língua -os moradores conversam em guarani-, e o artesanato. Em vez dos trajes típicos, vários índios vestiam camisas da seleção ou de clubes de futebol e era difícil alguém se apresentar com nome indígena -uma criança disse se chamar Robert.


Filha de SP

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Índios se revoltam contra madeireiros

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1119097-7823-INDIOS+SE+REVOLTAM+CONTRA+MADEIREIROS,00.html

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Índios confinados

http://www.agenciabrasil.gov.br/grandes-reportagens/2009/09/03/grande_reportagem.2009-09-03.0000293691/view